“O jovem pode fazer a diferença” – Entrevista com Diogo Hoffmann

por Iury Aragão publicado 19/01/2021 13h30, última modificação 20/01/2021 10h57



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Com fala calma e bem articulada, Diogo Hoffmann nos recebeu em sua sala na Câmara de Vereadores de Petrolina. Migrante, como tantos que vivem em Petrolina, veio à cidade acompanhando seus pais, que tiveram a tarefa de ajudar na instalação da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf). Funcionário do INSS, mestre em Administração Pública e, agora, vereador, defende que ajudar os jovens e incentivar a leitura são dois caminhos importantes para o desenvolvimento da cidade.

 

Você é natural de Vitória-ES, certo? Como foi sua vinda para Petrolina?

Cheguei em Petrolina no dia 20 de janeiro de 2005. A Universidade do Vale do São Francisco estava sendo implantada naquele momento, e meus pais faziam parte da equipe de implantação. Meu pai, Elias, e minha mãe, Mara, faziam parte da equipe que veio da Universidade Federal do Espírito Santo para implantar a Univasf. À época meu pai recebeu o convite, conversou com minha família, que topou, e assim cheguei adolescente, com 15 anos, à cidade de Petrolina, e minha irmã tinha 11.

E como foi criado seu vínculo com a cidade? Como é esse vínculo hoje?

Assim que chegamos a Petrolina, nos apaixonamos. Tanto eu quanto minha irmã nos adaptamos bem à cidade; minha mãe, mesmo com saudade da família, teve ótima adaptação. Criamos logo um vínculo muito grande com a cidade. Minha esposa, que é natural de Cabrobó, morou a vida toda em Petrolina. Então aqui eu criei raízes, estudei, fiz minha graduação, fiz meu mestrado, encontrei um círculo de amigos bom, achei uma igreja boa, na qual pude aprender muito, ter muitos ensinamentos, me desenvolver espiritualmente e pessoalmente.

Petrolina ficou marcada na vida da gente, e tenho o prazer de ter minha filha como natural da cidade. O vínculo foi criado de forma muito forte, tanto que não passa e nunca passou pela nossa cabeça retornar ao Espírito Santo. Inicialmente era uma missão temporária, em que passaríamos 4 anos e logo depois retornaríamos, mas a família foi unânime em decidir permanecer em Petrolina. Essa é uma cidade boa, acolhedora e, acima de tudo, permite que as pessoas prosperem.

A vivência acadêmica, então, está presente em sua vida. Como ela faz parte de você, como é sua formação?

Eu sempre quis ser servidor público, sempre tive esse objetivo. Olhava para meu pai e pensava que queria fazer o que ele faz. Compreendi que para ser servidor público um curso superior colaboraria, apesar de hoje estar em um cargo no INSS que é de nível médio. Mas, apesar disso, compreendia que era preciso ter uma graduação. Me graduei como bacharel em Administração na Univasf e, a partir dali, comecei a desenvolver gosto por gestão. No INSS fui gestor em diversas áreas: gestor de duas agências, chefe de RH, gerente regional substituto. Eu tive uma experiência vasta de gestão que colaborou até mesmo para o meu desejo político. Envolto nesse ambiente acadêmico, nesse ambiente de desenvolvimento e de aprendizado, senti o desejo de ingressar na vida pública, de lançar meu nome como uma alternativa na Câmara de Vereadores de Petrolina. Nós temos aqui 23 vereadores, cada um de uma origem diferente, cada um com uma formação diferente, e cada um com muito a contribuir, pois um complementa o outro. Nós nos complementamos.

Com base em minha vivência optei por fazer um mestrado em Administração Pública – e hoje sou mestre nessa área – porque pensei que para servir, tenho primeiro que me preparar. Muitos têm experiência prática da vida pública, do contato com o povo. E eu consegui mesclar isso: o contato com a população no INSS com a formação acadêmica. E tenho, aqui na Câmara, aprendido com os colegas, aprendido com a experiência de cada um deles, para contribuir o máximo possível com a Casa Plínio Amorim.

Qual foi o tema da sua pesquisa no mestrado?

Pesquisei indicador de desempenho, uma área que sou apaixonado. Nós vemos questões sobre mensuração do trabalho, sobre como melhorar rotinas e fluxos. E eu quero trazer essa perspectiva para dentro da Câmara. Já me coloquei à disposição para colaborar nesse sentido.

Como você pensa em trabalhar essa questão da gestão na Câmara?

De duas formas. A primeira é propor a renovação de fluxos e pensar em novos processos de trabalho para que, dentro da Câmara, todos nós - servidores, colaboradores, vereadores - possamos prestar um serviço melhor. Tenho visto uma disposição muito grande do nosso presidente, Aero Cruz, para fazermos as coisas acontecerem, e isso abre espaço para que com nossa experiência possamos colaborar com a gestão da casa. No primeiros dias de mandato, inclusive, protocolei um ofício com sugestões de melhoria da transparência e dos fluxos de trabalho para que as coisas possam andar bem. E o presidente foi muito receptivo a essas sugestões.

O que te levou ao legislativo, a pensar em ser vereador?

O INSS ajudou muito para isso, pois lá nós temos muito contato com pessoas em situação de vulnerabilidade, e quando você observa e enxerga as vulnerabilidades, é natural que haja em seu coração o desejo de fazer alguma coisa. De que forma posso colaborar? No INSS colaboro fazendo meu trabalho, colaboro no meu espaço de atuação. Não pretendo mudar todo o mundo, mas se eu conseguir melhorar a realidade de quem está ao meu redor, já é o suficiente. E na Câmara acredito que posso alcançar mais pessoas para ajudar. Devagarzinho, com cuidado, recebendo bem as pessoas, olhando no olho, e dizendo sim quando puder dizer sim e dizendo não quando for necessário dizer não. Essa é minha forma de atuar, e é assim que pretendo pautar os quatro anos aqui na Câmara.

Quais serão suas principais linhas de atuação?

Pretendo atuar de forma mais efetiva em duas áreas. Primeiro é a área da juventude, com o estabelecimento de políticas públicas, com projetos de lei voltados para a juventude. Fomento ao esporte, ao conhecimento, à cultura, ao lazer. Coisas que vão trazer benefícios para a juventude. Nós temos um prefeito jovem, dinâmico, que tem feito um trabalho gigantesco. Essa é uma prova cabal de que jovem pode fazer a diferença. O jovem está em destaque. O nosso jovem prefeito é talvez o melhor prefeito do país, pois do nordeste sabemos que ele é disparado. Além da juventude, a outra área que quero atuar com força é na educação, especialmente no incentivo à leitura. Entendo que a leitura tem poder transformador que vai além das páginas que vemos no livro. Eu tenho o hábito, a minha rotina pela manhã, de ler a bíblia e de ler um livro. Quero criar programas, leis que possam incentivar a cultura da leitura nas escolas municipais. Imagine a gente pegar um jovem tão habituado ao tablet, celular, e gerar nele o prazer da leitura. Pode ser pelo celular, pelo tablet, mas também pode ser pelo livro impresso, pelo papel. Então essa é uma área de atuação que quero estar forte também. Tudo que for envolvendo a juventude, eu quero estar perto: esporte, lazer, cultura, saúde.

Como será sua linha de ação para a leitura?

A primeira linha será no âmbito da própria estrutura municipal. Nós temos os colégios municipais e eles são responsáveis pela educação fundamental. Então quero criar formas e incentivos à leitura no próprio âmbito escolar. Já temos uma estrutura e nosso prefeito é muito voltado para a área da educação, que trata a educação como prioridade, com o nosso Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], por exemplo, se destacando a nível de nordeste, a nível de Brasil. Então dentro da própria estrutura da prefeitura municipal, da educação, a gente pode estabelecer programas de incentivo à leitura. Quero ouvir pedagogos, quero ouvir diretores, quero ouvir quem entende da coisa. Eu tenho uma ideia, mas preciso ouvir quem entende da coisa. Outra forma de atuação que penso, e é mais lúdica, são ninhos de livros.

Como funcionam esses ninhos de livros?

Você constrói um ninho, como se fosse ninho de pássaro, e você distribui livros pela cidade, com as pessoas podendo pegar, ler e colocar em outro ninho. Se eu tenho um livro em casa que já li, que minha família já leu, eu posso colocar em algum ninho. Com isso você pode ir gerando na população uma cultura de leitura. No INSS, por exemplo, nós temos um ninho de livros. Você pega o livro, lê e devolve. Isso gera uma cultura de leitura.

Como fazer para que os livros não sejam perdidos, danificados?

Eu prefiro acreditar nas pessoas, prefiro acreditar que é possível se criar uma leitura. É possível que uma ou outra pessoa faça ação de vandalismo, mas nós temos guarda municipal, sistema de câmeras com condição de abarcar isso. Mas o mais importante é criar esse ciclo, criar essa cultura. Nenhuma ação é inócua. Tudo que a gente faz gera uma reação. É um princípio físico. Boas ações geram boas reações. Então por que não pensar dessa forma? Pode ser utópico, pode ser romântico na forma de pensar, mas prefiro achar que se nós conseguirmos incentivar dois ou três jovens, quatro ou cinco senhores ou senhoras a ler, a gente já fez muita coisa. Temos que parar de punir as boas ações por causa das más. Vamos premiar o bom comportamento e punir as ações erradas.

Como tem sido suas primeiras semanas aqui na câmara?

A gente completa hoje 15 dias de atuação hoje [15 de janeiro]. Temos nos inteirado, é um processo de aprendizagem. Tenho ouvido colegas mais experientes, tenho procurado conversar tanto com os mais experientes quanto com os novatos para aprender e apresentar sugestões daquilo que a gente entende como correto. Estou como um aluno nesse momento. Pretendo ouvir muito, aprender bastante e pretendo também deixar minha marca.

Qual sua expectativa para essa legislatura que começa?

A expectativa é muito boa. Quero deixar registrado que cada um dos 22 colegas eleitos têm méritos por terem vencido e têm muito com o que contribuir. Minha expectativa é que junto com eles possamos construir uma Casa Plínio Amorim melhor. Se daqui a quatro anos deixarmos uma câmara mais produtiva, mais bem vista pela sociedade, uma câmara um pouquinho melhor do que aquela que a gente pegou, eu já estarei muito satisfeito de ter dado minha cota de contribuição. A expectativa é alta, a sociedade tem uma expectativa grande de nós, porque temos um paradigma muito alto, que é a prefeitura. A prefeitura elevou o nível das expectativas do petrolinense nos últimos quatro anos. O trabalho do prefeito e de seus secretários elevou o padrão e, então, temos que correr bastante para dar conta dessa expectativa.

 

 

 

 

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