08 de março: Dia Internacional da Mulher

por vinicius — publicado 15/03/2011 23h21, última modificação 20/09/2016 11h16
Acompanhe o discurso da Presidente da Câmara de Vereadores de Petrolina, Maria Elena Alencar, em homenagem a mulher.

Senhoras Vereadoras, Senhores Vereadores,

Lideranças Comunitárias,

Trabalhadoras e trabalhadores,

Artistas, Assessores, Imprensa ...

 

Quero fazer uma saudação especial a todas as mulheres de Petrolina e do Vale do São Francisco pela passagem do dia 08 de março, data marcada por simbolismos na luta das mulheres por igualdade e justiça.

 

Avançamos. Esse é o sentimento que tenho, após 101 anos da instituição do 8 de março como o dia internacional da mulher, apesar de considerar também, que tem sido lento e sofrido o caminho da mulher na luta pela conquista de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional.

 

Desde os tempos da alemã Clara Zetkin, Rosa de Luxemburgo, Simone de Beauvoir, , Margarida Alves, Anita Garibaldi, , Olga Benário, Cristina Tavares, Maria da Penha, Naide Teodosio, Nilcéia Freire, a luta da mulher se desenvolveu e registrou conquistas.

 

A eleição da primeira mulher presidenta da república é um extraordinário reflexo do processo de conquistas das mulheres ao longo da história. É bem possível que não encontremos melhores palavras para enaltecer e sintetizar o significado dessas conquistas e as emoções que suscitam, que aquelas proferidas pela presidenta Dilma em seu discurso de posse:

 

“Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.

Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.

Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.

Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha da sua imensa energia.

E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.

Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser presidentas; e para que – no dia de hoje – todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.

Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo – eu reitero – é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos! ...”

 

Nestas palavras leves, porém firmes, podemos identificar muito do sentir de uma mulher que reconhece a importância do significado da sua vitória, enquanto mulher.

Na verdade, o sentido que a presidenta Dilma imprime a sua vitória, através dessas palavras, reflete a trajetória de luta das mulheres, marcada nesse simbólico dia 8 de março, que acabamos de vivenciar.

 

Sinto também  um grande orgulho em ser a primeira mulher eleita presidente da Câmara de Vereadores de Petrolina, e de termos numa mesa formada por cinco membros, quatro são mulheres, grandes companheiras vereadoras (Anatélia, Cristina Costa, Márcia Cavalcanti, Jussária, Raimunda Solposto).

Ao mesmo tempo sei da enorme responsabilidade que recai sobre nós. Mas estou tranqüila e tenho a certeza que com o apoio do nosso povo, haveremos de fazer uma gestão exitosa à frente da Mesa Diretora da Casa Plínio Amorim, defendendo os mais altos interesses do povo petrolinense.

 

Mas recordemos que no dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, organizaram uma manifestação para reivindicar melhores condições de trabalho, como a diminuição da jornada de trabalho de 16 para 10 horas por dia, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com extrema violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada, e cerca de 129 tecelãs morreram carbonizadas, num ato extremamente desumano.

Esse trágico e cruel desfecho foi também o estopim de um movimento que foi crescendo, gerando uma nova consciência, ganhando as ruas, mudando leis, criando uma nova cultura: a dos direitos iguais entre homens e mulheres.

 

Somente no ano de 1910, durante uma conferência no país da Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o DIA INTERNACIONAL DA MULHER, para perpetuar a lembrança do heroísmo das mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas só no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas.

 

Apesar de todos os avanços e conquistas durante esses anos, a condição da mulher ainda é alvo de cerceamento de direitos e vítima de preconceitos. Os jornais estampam a cada dia novas notícias sobre o desrespeito aos direitos das mulheres.

 

Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia, instituição sediada na Holanda, em pesquisa realizada sobre a condição feminina, concluiu que as mulheres brasileiras são as que mais sofrem com a violência no ambiente familiar: 23% das mulheres estão sujeitas à violência doméstica no Brasil.

Além disso, cerca de 70% dos incidentes de violência doméstica contra a mulher, o agressor é o próprio marido ou companheiro. Em mais de 40% dos incidentes ocorrem lesões corporais graves. No entanto, apenas 2% das queixas referentes a esses crimes resultam em punições.

 

A Lei Maria da Penha, sancionada em 07 de agosto de 2006, com a finalidade de punir com mais rigor as agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico ou familiar é um reflexo de como, no Brasil, os direitos das mulheres ainda são desrespeitados ao ponto de exigir uma lei específica para assegurar às mulheres a dignidade enquanto cidadãs.

 

Porém, a implantação da Lei Maria da Penha de fato está incompleta.

É necessário a criação imediata de juizados especiais sobre a violência doméstica contra as mulheres, previstos na legislação.

Esses juizados teriam competência sobre crimes de violência contra a mulher e, além disso, sobre questões como separação, pensão e guarda de filhos. Entre outras questões está também o fortalecimento da rede de atendimento à mulher em situação de violência com a implantação de novos centros de referência, defensorias públicas para a mulher, casas-abrigo e delegacias especializadas.

 

Uma outra questão que nos chama atenção, é a participação das mulheres na política. Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, com a definição de quotas, ainda persiste uma subrepresentação feminina nos espaços de poder.

 

Dados divulgados pela União Interparlamentar (UIP), em setembro de 2009, mostram que no Brasil apenas 9% dos parlamentares na Câmara Federal e 12% no Senado Federal são mulheres.

Em 2008, as mulheres ocupavam tão somente 12% das cadeiras nas Câmaras de Vereadores.

Isso num país onde 52% dos eleitores são mulheres. “A sociedade – incluindo a própria ala feminina, ainda não consegue ver a mulher como um ser político, capaz de provocar mudanças”, desabafa Mary Ferreira, doutora em sociologia e mestre em políticas públicas pela Universidade Federal do Maranhão, avaliando que apenas soluções afirmativas, como as cotas, não são suficientes para resolver a questão da participação da mulher na política.

 

E é a partir dessa constatação que chegamos a outra questão que envolve o universo da superação das desigualdades de gênero.

Recai historicamente sobre a mulher os afazeres domésticos e o cuidado com os filhos, levando a mulher ao confinamento doméstico. Ela não participa da vida social e política porque tem de cuidar da casa e dos filhos, tendo como conseqüência uma baixa representação da mulher tanto na política, como nas organizações sociais.

 

É por isso que defendemos políticas públicas que libertem a mulher desse confinamento doméstico, tais como: creches, escola de tempo integral, estímulo ao empreendedorismo feminino, licença maternidade de 6 meses para todas as categorias, políticas de prevenção da gravidez precoce para as jovens, fortalecimento do SUS com atendimento digno e eficaz,  estímulo à formação profissional e inserção no mercado de trabalho com carteira assinada e salário igual para a mesma função, combate ao assédio moral no trabalho, combate à violência sexual, etc.

 

Portanto, como disse no início, a ação política do movimento feminista e a implantação de políticas públicas, tem contribuído para a transformação da condição social da mulher nas últimas décadas. Mas ainda há muito trabalho por fazer e espaço para se ganhar.

 

Acredito com muita firmeza, que a eleição de Dilma, mais que uma sinalização, ou resultado de nossa luta, pode representar a possibilidade concreta de avanços significativos nas políticas públicas de atenção às mulheres.

E dentro desse contexto, particularizando a nossa realidade, verifica-se um alheiamento e uma dispersão muito grande dos movimentos locais voltados para o desenvolvimento de políticas públicas para as mulheres, é que pretendemos promover um encontro ainda nesse semestre, para discutirmos uma melhor interatividade entre essas redes sociais. Estudos e planejamento do evento já est

 

Por último gostaria de render nossa homenagem a tantas mulheres que fizeram fazem a luta pela igualdade da mulher em nossa cidade: Marici Amador, Detinha, Miúda, Ana Rúbia, Elisabeth Moreira, Rita Rosa, Socorro Lacerda ...e tantas outras anônimas...

 

 

Viva o 8 de março!!

Viva todas as mulheres desse país!!

Parabéns a todas as mulheres de Petrolina e de pernambuco!!!