Comissão da Câmara de Petrolina aponta possível risco de contaminação ao Rio São Francisco com rejeitos de Brumadinho

por Natalia publicado 26/03/2019 11h35, última modificação 26/03/2019 11h35

Primeiro representante entre todos os poderes legislativos do país a formalizar uma comissão para visitar a região do desastre do rompimento da barragem em Brumadinho/MG e suas consequências para o Rio São Francisco, a Câmara de Vereadores de Petrolina/PE, apresentou balanço inicial da viagem que fez para averiguar o grau da tragédia para o Velho Chico. O relato ocorreu em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 25, no plenário da Casa Plínio Amorim

 

Estiveram presentes os vereadores Ronaldo Cancão (PTB), Cristina Costa (PT), os dois integrantes da comissão que foi ao local da tragédia que tirou mais de 200 vidas (dos quais cerca de 100 ainda estão desaparecidas); além do autor do requerimento que originou a comissão, vereador Gabriel Menezes (PSL). O presidente da Câmara, vereador Osório Siqueira (PSB) e os colegas vereadores Paulo Valgueiro (MDB), Aero Cruz e Rodrigo Araújo (PSC), também estiveram na coletiva.

 

A tragédia de Brumadinho prejudicou uma população superior a 2,3 milhões de pessoas em mais de 300 municípios mineiros, conforme o balanço apresentado pela comissão, principalmente os que vivem no entorno do Rio Paraopeba, atingido diretamente pelos rejeitos da barragem do Córrego do Feijão. O Paraopeba é afluente do Rio São Francisco.

 

O vereador Ronaldo Cancão (PTB) que foi à Brumadinho, declarou: “Nós estamos em estado de alerta”. Cancão viajou quase 4 mil Km junto com a vereadora Cristina Costa (PT). A comissão da ida a Brumadinho foi criada a partir de um requerimento do vereador Gabriel Menezes e referendada por todos os demais vereadores com apoio total do presidente Osório Siqueira.

 

Segundo Gabriel, a ida do legislativo de Petrolina foi de grande importância para todos que dependem do Rio São Francisco. Ele frisou que os representantes do poder legislativo precisavam ver de perto se e quando os metais dos rejeitos que atingiram o Paraopeba, podem também chegar ao ‘Velho Chico’. Sua preocupação é justamente por ser o São Francisco, a razão maior da existência de toda a região banhada por suas águas e importante mola propulsora de desenvolvimento de Petrolina e de grande parte do Nordeste.

 

“Temos consciência do impacto que pode haver uma possível contaminação do Rio São Francisco, especialmente em nossa região. São empregos, a geração de renda, o nosso potencial que estão em jogo e muitas informações vinham chegando de forma desencontradas. Ainda tentei junto com o vereador Ronaldo Cancão um adiamento da viagem, devido meu filho mais novo estar com problema de saúde, mas os compromissos já agendados com as Câmaras em Brumadinho e Belo Horizonte, não permitiram. Nossa preocupação é também porque temos quase 70 mil pessoas que vivem nos projetos irrigados e consumem a água do rio in-natura. Essa missão mostra que o poder legislativo está comprometido com o rio e com o povo!”, assinalou Gabriel.

 

O vereador Ronaldo Cancão destacou a receptividade positiva que teve com durante a visita. “Fomos muito bem recebidos pelos vereadores em Brumadinho, Belo Horizonte e Três Marias, cidades que visitamos, e digo uma coisa, os vereadores das cidades atingidas pelo desastre não conseguem ter acesso a nenhuma informação até o momento”.

 

Ronaldo que também é primeiro vice-presidente da Câmara de Petrolina, falou da participação importante do presidente do legislativo petrolinense, vereador Osório Siqueira (PSB) que viabilizou a instituição da comissão que tinha também o vereador Gabriel Menezes (PSL), autor do requerimento. Menezes não pode viajar por questão da saúde do filho caçula.

 

“Osório solicitou a instalação de imediato a formação dessa comissão para ir à Brumadinho. O pleito teve total apoio dos demais vereadores e foi referendado pelo presidente que agilizou a visita à região do desastre”, constatou Ronaldo Cancão.

 

O petebista destacou: “A Vale ainda não fez nada para barrar a contaminação do Paraopeba”. De acordo com o levantamento feito, são sete tipo de minerais que atingiram o rio afluente do São Francisco com o desastre da barragem do Córrego do Feijão.  

 

A vereadora Cristina Costa (PT), criticou a postura do governo de Minas e do próprio Ministério Público do estado mineiro. Ela ponta que para quem estar acompanhando os efeitos dos desastre, a Vale do Rio Doce, mineradora responsável pela construção da barragem e de outros no estado que tem colocado Minas em estado de alerta constante, a importância maior é com a empresa e depois com o Rio São Francisco.

 

“Para Minas Gerais, o  Rio São Francisco não é prioridade. Vejo preocupação somente com as indenizações e com a Vale do Rio Doce, com o capital. Eles tinham consciência dos riscos e evitaram o problema”, denunciou a vereadora.

 

Cristina frisa que o mais urgente seria a retirada da lama antes que cause dano maior ao São Francisco. As chuvas que atingem a região atingida, também podem aumentar o risco de contaminação no Velho Chico. Brumadinho e Três Marias estão com quase 90% de sua capacidade.

 

“Temos que mobilizar todos os governadores do Nordeste na defesa do Rio São Francisco. Vamos envolver também ongs, universidades, governos, órgãos como Embrapa e Chesf e o ministério público de Minas e o MPFF. Precisamos pensar agora e evitar os efeitos do desastre para os próximos 15, 20 anos”, considerou Cristina Costa.

 

PRESIDENTE PRESTA CONTAS

 

O presidente Osório Siqueira que esteve na coletiva de imprensa do balanço da viagem da missão dos vereadores à Brumadinho, destacou que os custos da viagem girou em torno de R$ 7 mil para uma estadia de 8 dias, cobrindo alimentação, combustível e hospedagem.

 

“É uma situação bastante preocupante e a Câmara não poderia ficar omissa diante desse problema que afetará todos nós. Se existem críticas, são isoladas. O custo da viagem foi legal e tudo foi feito dentro da legalidade”, disse o presidente.

 

O próprio vereador Ronaldo Cancão dirigiu o carro durante a viagem de cerca de 4 mil Km, passando por Brumadinho, Três Marias Belo Horizonte. A iniciativa da Câmara de Petrolina em procurar saber como anda os impactos ambientais e com o Rio São Francisco após a tragédia de Brumadinho, mereceu menção honrosa da Câmara de Belo Horizonte, conforme informou o vereador Ronaldo Cancão. (Fotos: Jean Brito)

 


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