Vereadores debatem bloqueios de verbas federais das instituições de ensino superior que atuam em Petrolina

por Waldiney Passos publicado 04/06/2019 22h50, última modificação 05/06/2019 04h47
Assim como o ensino público superior federal de todo o País, instituições como IF-Sertão e Univasf estão também sendo atingidas pelos cortes de 30% dos recursos do MEC. A diminuição no repasse já atinge, por exemplo, o subsídio para alunos carentes que dependem do RU da Univasf.

A Câmara de Vereadores de Petrolina/PE, no sertão do São Francisco, reuniu nesta terça-feira, 4, a comunidade acadêmica formada por professores e estudantes das instituições de ensino superior federal na região, além de representantes de outras unidades da educação, para discutir o impacto negativo do bloqueio de 30% do Governo Federal das verbas destinadas ao ensino superior público federal. A audiência pública foi promovida pelos vereadores José Batista da Gama, PDT, e Cristina Costa, PT.

O autores contaram com o apoio de parte dos vereadores petrolinenses que ficaram até o final do debate. Todos juntos encaminharão um documento que será entregue ao governo e aos representantes políticos da cidade, visando sensibilizar o MEC para que reveja a medida que impacta diretamente no presente e futuro dos jovens que já ingressaram e os que pretendem ingressar na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) ou no Instituto Federal de Ensino Superior Sertão Pernambucano (IF-Sertão).

“Nós tivemos aqui o marco regulador da educação superior do Vale do São Francisco que são a Univasf e o IF-Sertão. Então eles já levaram suas preocupações para o Ministério que deve estar analisando e acredito que até o final do mês tenhamos uma resolução definitiva. Pegamos os dados oficiais da Univasf e do Instituo e vamos consolidar com essa nossa discussão para fazer chegar ao governo federal e a nossos representantes, o posicionamento desta Casa e quem esteve nesta audiência. Estamos aqui para que nem Pernambuco nem o Brasil sofra com esses cortes que estão ocorrendo”, avaliou Zé Batista.

Dos 23 vereadores, a audiência conseguiu reunir até o final, 8 parlamentares. A vereadora Cristina Costa que presidiu a audiência juntamente com Zé Batista, lamentou que os demais colegas não tenham participado do debate que demonstra tanta importância. Ela frisou que somente a vereadora Maria Elena de Alencar justificou por que não poderia comparecer que foi devido a motivos de saúde na família.

“Infelizmente alguns colegas deixaram a desejar, mas a presença do IF-Sertão e da Univasf onde foram abertas as contas e foi colocado o papel da Andes (Associação Nacional das Instituições de Ensino Superior) para cobrar e acompanhar como funciona essas instituições, pois a universidade é muito importante para gente. É um instrumento de crescimento do povo sertanejo”, avaliou Cristina.

A autora da discussão conclama todos a vestirem a cor da educação, pois a política passa, mas a instituição, os alunos, permanecem.

“Vimos que existe muita desinformação e muitas críticas têm sido feitas por isso. O debate aclarou muita coisa e muitos colegas começaram a entender melhor o papel importante das instituições federais de ensino superior para a nossa região”, acrescentou Cristina Costa.

O professor Fabiano Marinho, diretor do IF-Sertão campus Petrolina, defendeu uma permanente discussão para que o governo possa recuar no que chamou de cortes no orçamento das instituições federais de ensino superior. O professor frisa que o bloqueio impacta negativamente a instituição no tocante a honrar o pagamento contas, quitar compromisso com os prestadores de serviços e aperfeiçoar ensino, pesquisa, inovação e extensão com qualidade.

“Foi proveitosa a discussão. A gente externou toda a problemática para os vereadores não só no IF-Sertão como na universidade para que a gente possa, juntos abraçar essa causa e montar um relatório para reverter esse bloqueio. Os alunos precisam da gente e trabalhamos para que não tenhamos que parar nossas atividades”, disse o diretor.

O reitor da Univasf, professor Julianeli Tolentino, deixou as portas da universidade abertas para que cada vereador possa ver todo o trabalho, o ensino e o conhecimento que vem sendo promovido na região ao longo de mais de dez anos da universidade que foi sonhada por muitos anos pela população local.

“Esses recursos fazem muita falta à universidade. Em relação à corrupção, respondendo a um vereador, se formos olhar o histórico de um caso na UFSC, não houve provas e o processo foi arquivado. Tenho certeza que esta Casa vai redigir um documento com base técnica e tenho certeza que contribuirá com nossos representantes e do MEC para que esse bloqueio seja desfeito”, declarou o reitor da Univasf.

Os vereadores Osinaldo Souza, Ruy Wanderley, Gabriel Menezes, Gilmar Santos, Paulo Valgueiro e Zenildo do Alto do Cocar, se colocaram à disposição no apoio ao ensino superior regional e lamentaram os demais colegas não estarem presentes em um tema tão importante. Uma maior divulgação poderia ter lotado a plateia de estudantes,destacou Gilmar que assumiu a falha junto com todos, mas o debate sinalizou que a Casa está unida no apoio ao IF-Sertão e à Univasf.

Os vereadores que integram a bancada da situação na Casa, afirmaram que têm conversado com os representantes de Petrolina no Congresso Nacional, como o senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal Fernando Filho, para darem uma palavra de apoio ao ensino superior público e gratuito de Petrolina e assim a medida do bloqueio possa ser revista.


TEXTO: Cinara Marques

FOTOS: Jean Brito

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