Por 8 x 5, participação de integrante LGBT na Comissão da Mulher, é rejeitada na Câmara

por Waldiney Passos publicado 09/05/2019 23h33, última modificação 09/05/2019 23h33

Após extensivo e acalorado debate sobre o ingresso de um membro do grupo LGBT na Comissão da Mulher da Câmara de Vereadores de Petrolina, os vereadores optaram na sessão desta quinta-feira, 9, por rejeitar a emenda que segundo argumentaram, “merecia uma nomenclatura melhor”. A emenda de autoria do vereador Gilmar Santos, solicitava à Casa, a inserção de uma participante LGBT no colegiado que trata das políticas e dos direitos da mulher sobre todos os aspectos.

A emenda foi acatada pela vereadora Maria Elena de Alencar que propôs a ampliação da representação de outros segmentos da mulher petrolinense no colegiado. A proposta alterou de 12 para 14 integrantes o número de participantes representados na Comissão.

“Essa questão é de natureza e não é partidária. Não podemos particularizar as coisas. Vamos dar esse ponta pé iniciar e lutar por essa parcela que estão aí lutando pelo seu lugar ao sol”, defendeu a vereadora, autora da proposta. Gilmar se disse contemplado com a fala da vereadora Maria Elena em que pese ela solicitar a defesa de todos em benefício de todos os cidadãos.

“A vereadora quer propor ao governo é que mais mulheres sejam representadas dentro dessa Comissão. Elas não são iguais e assim existem mulheres heterossexuais e homossexuais que permanecem mulheres e que precisam estarem juntas, discutindo seus problema e proteção de sua dignidade e por oportunidades”, acrescentou o vereador Gilmar Santos. Zé Batista, Ronaldo Silva e Cristina Costa também foram favoráveis à emenda e se colocaram nessa defesa.

Contrário à proposta, vereadores como Elias Jardim, Ronaldo Souza e Osinaldo Souza, enfatizaram a questão bíblica e ideológica para justificar os votos contrários.

“Os seres humanos são compostos de homens e mulheres, não vamos misturar as coisas e assim diz Bíblia. Macho e fêmea, só foi isso que Deus criou, portanto, tenho grande respeito pelo Conselho dos Direitos das Mulheres, por isso voto contra as emendas e à favor do Conselho”, declarou o vereador Elias Jardim que integra o grupo de evangélicos da Casa Plínio Amorim.

Ronaldo Souza disse que respeitos o ser humano, mas existe um princípio bíblico que ele defende ainda mais. “Volto pelas doutrinas bíblicas”. Já Ronaldo Silva que tem a esposa pastora, frisou que para ser pastora, um dos princípios é se respeitar todas as pessoas.

“O prefeito Miguel Coelho fez um decreto aceitando o nome social da comunidade LGBT. Então, vamos respeitar a diversidade”, enfatizou Ronaldo.

Sem as presenças de alguns colegas alguns dos 23 vereadores no plenário,nem da própria Maria Elena que teve que se ausentar por questão de saúde, motivo que o líder da oposição teria colocado para que a votação da emenda fosse adiada, mas os argumentos de Paulo Valgueiro não foram absorvidos pelos demais vereadores e o presidente Osório Siqueira terminou mantendo a proposta para votação que acabou reprovada por 8 a 5.

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