Uma das minhas principais bandeiras é dar assistência à área irrigada, diz Marquinhos do N-04

por Iury Aragão publicado 22/02/2021 14h31, última modificação 22/02/2021 14h31

 

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Catequista, técnico agrícola e motorista de van. Esses foram alguns dos trabalhos que Marquinhos do N-04 teve. E foi em sua van, transportando passageiros entre Petrolina e o N-04 que ele ganhou visibilidade, pois levava, gratuitamente e em quantidade superior ao exigido por lei, idosos e pessoas com deficiência e muitas vezes não cobrava passagem de pessoas com maiores dificuldades financeiras. Hoje, vereador, luta para fortalecer a agricultura familiar e levar assistência técnica à área irrigada petrolinense.

Quando você percebeu que tinha visibilidade para pensar em um cargo público?

Acredito que o que lançou meu nome na política, mesmo sem eu saber, foi quando eu comecei a dirigir van e fazia o trajeto entre Petrolina e o N-04. Transportava passageiro com muita alegria e dignidade. Era um jeito diferente de transportar – digo isso sem desclassificar a classe – porque tínhamos um jeito especial de atender e sem pensar em ser político. Mas agora percebo que eu já fazia política. Não era partidária, era política de vida. Através disso ganhei visibilidade.

O que você fazia de diferente enquanto motorista de van?

A Ammpla [Autarquia Municipal de Mobilidade de Petrolina] tinha uma política de que cada carro tinha obrigação de levar duas carteirinhas (idosos ou pessoas com deficiência). Na época, os outros motoristas não queriam levar porque era gratuito, mas eu geralmente rodava com quatro ou cinco pessoas que tinham esse direito. Levava as pessoas com muita naturalidade, com muita alegria. Recordo-me que também levava muita gente fiado e muitas vezes nem aceitava que pagassem a passagem devido à condição financeira da pessoa. Sempre me espelhei muito no ensinamento de minha mãe, que dizia que sempre devemos pensar no próximo. Quando meu pai morreu, eu tinha três meses de vida, não o conheci, e minha mãe me criou e mais três irmãos com muita dificuldade e os ensinamentos dela eu trago até hoje.

Então graças a esse trabalho as pessoas começaram a falar de você.

Esse foi um dos motivos. Na comunidade do N-04, o que me colocou mais em evidência foi isso. Sou muito grato a eles, que em 2016 me presentearam com 1.221 votos dos 1.566 que obtive. E em 2020 com 1.308 do total de 2.196 votos.

E antes de trabalhar como motorista de van, quais eram suas ocupações?

Já fui catequista da Igreja Católica, sou técnico agrícola, formado no CEFET [Centro Federal de Educação Tecnológica], hoje Instituto Federal, trabalhei em mercado no N-04, onde tive contato com toda a população. Nasci e me criei no N-04, sempre fazendo amizade e ajudando o próximo, e aí vi que eu tinha uma popularidade interessante na nossa comunidade.

E o que te fez querer entrar na política?

O que me fez entrar na política foi a perda do meu filho no Dom Malan. Acredito eu, por negligência médica. Minha esposa não tinha passagem e forçaram o parto e, com isso, vieram complicações. Procurei políticos na época e eles não me ajudaram. Então pensei em entrar na política para que não ocorra com outros o que aconteceu comigo e com minha esposa – o falecimento do nosso primeiro filho. E lancei meu nome em 2016. Perdemos nosso filho em 2015 e em 2016 meu nome foi lançado para a apreciação da população. Obtivemos 1.566 votos, e isso foi uma surpresa, pois foi a primeira vez que disputamos um pleito e por apenas oito votos não assumimos o mandato. Mas a partir dali vi que eu tinha sido um vitorioso porque lançamos meu nome na véspera das eleições e conseguimos uma votação dessa. Foi gratificante, emocionante. Faltam palavras para descrever o que sentimos naquela época.

E após a questão do Dom Malan, que é uma situação bastante sensível, você entrou em algum grupo para falar sobre o assunto, para lutar por seus direitos?

Eu vi que era um jogo político e o meio que achei para dar um basta foi entrando na política para, através dela, termos força, voz e vez. Para trabalhar por quem está lá sofrendo, passando pelo que passei em 2015. Já conversei com as vereadoras Samara da Visão (PSD) e Maria Elena (MDB) e estamos juntos e engajados no Movimento de Mulheres de Petrolina, até porque sofri na pele o que essas mães e pais estão passando, pois também perdi um filho no Dom Malan em 2015. Estamos prontos e preparados para ajudá-los no que for preciso.

E como foi o processo para conseguir apoio político?

Em meados de março de 2016 fomos procurar os líderes partidários e escutei muitos “nãos”. Eu ia aos líderes e eles me perguntavam se eu já tinha sido líder de associação e de que movimento eu já tinha participado, e eu dizia que nunca tinha participado de nenhum. O que escutei muito era que eu não tinha voto. Me recordo muito bem quando fui conversar com Adalberto Cavalcanti e ele fez a mesma pergunta dos demais e eu falei que nunca tinha sido líder comunitário e nem presidente de associação e ele perguntou se eu queria mesmo ser político. Eu disse que nasci político e ele disse que agora eram dois doidos juntos e que me apoiaria. Assim me filiei ao antigo PRB [Partido Republicano Brasileiro], que hoje é o Republicanos. Começamos a caminhar juntos e sou muito grato. Se não fosse ele, ninguém teria me conhecido politicamente porque faltavam apenas dois dias para o fim do prazo de filiação. Com isso consegui lançar meu nome e hoje estou no legislativo de Petrolina.

Quais são suas principais pautas no legislativo?

Uma das principais bandeiras, já que sou da área irrigada, é devolver a assistência técnica e com isso melhorar a renda da agricultura familiar e também correr atrás do saneamento básico de toda a área irrigada, porque é inadmissível sermos um dos pilares da economia de Petrolina e sermos desassistidos perante o poder público tanto municipal quanto estadual. Fica um jogo de empurra-empurra, porque o município não atua porque diz que o perímetro é da Codevasf, e a Codevasf não atua porque diz que está nos limites do município de Petrolina. E assim quem sofre é a comunidade. No meu ponto de vista, uma maneira mais clara do poder público atuar é desengavetando o plano diretor, que está pronto. Vamos lutar muito para que esse plano diretor seja colocado em prática e, com isso, não só a comunidade da área irrigada, mas toda Petrolina seja beneficiada.

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